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Renascer

Renascer

Um novo acordar

Alice 🦋, 12.08.20

Desde que me lembro, a minha relação com a cama e com o conforto dos lençóis é sensivelmente íntima. A oportunidade de me desligar de possíveis complicações através do sono é algo inexplicável, a comodidade com o que não sinto naquelas horas ao escuro sempre me reconfortou, como se cada lençol e edredon fossem camadas de proteção. Claramente, o sentimento de conforto através de uma ilusão não é, de todo, algo positivo, muito menos um exemplo que queira transmitir a outra pessoa. 
É certo que este (mau) hábito de evitar a minha realidade, através deste refúgio, sempre esteve presente nos meus dias, sobretudo nas minhas manhãs.
Quando o ânimo de me levantar para fazer algo por mim surgia, automaticamente manifestavam-se alguns impasses:

"Mas porque raio é que me vou levantar? O que é que é possível fazer numa manhã que me faça querer sair da cama? Nunca adquiri o hábito de acordar cedo, porque é que seria agora?"

O grande problema é esse. É não agirmos , é não valorizarmos o AGORA, porque de facto, é o agora que vai determinar o depois. São as escolhas de hoje que vão resumir o nosso dia amanhã. 

Comecei por assistir a alguns vídeos sobre motivação, combate à preguiça, tal como sobre a produtividade. A verdade é que a maioria das pessoas, tal como eu, podem assistir a mil vídeos deste tipo mas continuam com o rabo sentado na cama, a desejar ser aquela pessoa com uma motivação invejável aos olhos de qualquer cidadão, quase como se a produtividade do outro, alimentasse um pouco esta nossa ânsia de aproveitar a vida com toda a garra.

Contudo, a energia apareceu, não sozinha admito, mas sim acompanhada de uma leitura necessária para qualquer pessoa que possua este desagrado com o seu quotidiano, que deseje transpirar produtividade ao ponto de não ter tempo para suspirar. Esta vontade de ser a minha melhor versão, o mais cedo possível, provém, assim, do livro "O Milagre da Manhã", livro este de leitura obrigatória para qualquer pessoa, de qualquer geração ou estilo de vida, que tencione ser uma pessoa melhor todos os dias e que queira de vez começar essa jornada tão desejada..
Provavelmente, um dia abordarei com mais detalhe a essência desta obra que, seguramente, permanecerá na minha mesa de cabeceira, para que não me esqueça do propósito da vida, da oportunidade que temos todas as manhãs de nos redescobrirmos e valorizarmos a sorte que é viver. 

Hoje completei a quarta manhã deste milagre, em que me levanto o mais tardar às 7h00 e vou simplesmente viver. E tão bom que é saborear a aragem a entrar pela janela do quarto enquanto acompanho o acordar dos primeiros raios de sol do dia. Não me lembro da última vez que acordei com o peito quase que afogado, de tanta felicidade que sinto por poder saborear mais uma manhã, por poder caminhar pelas ruas desertas da cidade, como se estas fossem minhas e as estivesse a pisar pela primeira vez.

É também verdade que este novo costume assusta de tão bom que é. Sinto que estou a conhecer uma nova realidade e assusta-me voltar a acordar com os pensamentos que tinha ainda há uma semana. Como se tivesse a voar tão alto que mal posso imaginar pela queda. Esta crença de não me aguentar no topo faz com que estremeça o corpo, mas não vou dar essa queda por garantida, eu preciso desta viagem com a vida, preciso desta mudança, quase como se fosse a minha última esperança de experenciar a felicidade e o que a acompanha.

Hoje tive êxito e amanhã também vou fazer para que volte a voar, vou viver, por mim.

 

 

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