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Renascer

Renascer

A nossa primeira casa

Alice 🦋, 17.02.21

É oficial! Vou deixar de viver com os cabelos na banheira das minhas colegas, o lixo debaixo das pantufas que passeia de um lado para o outro no chão da casa, o cheiro do caixote que não é mudado há uma semana. 

Sempre ouvi dizer  que por vezes é necessário arriscar, deixarmo-nos ir com a maré, mas nunca pensei seguir este ditado tão à letra!

Depois de semanas a pesquisar um apartamento a preços acessíveis, nos grupos do Facebook da minha cidade, sem grande sucesso, recorri à plataforma do Google. A verdade, é que a margem de tempo desde que cliquei no anúncio daquela casa, até ao pagamento da caução não demorou mais de duas horas!

Todos sabemos que uma cidade com pouca oferta de casas em boas condições pede que se aluguem as poucas disponíveis sem piscar os olhos. Assim foi, às 15h45 vi o anúncio daquele T2, às 15h51 liguei para o senhorio e o mesmo disse "se quiser ver tem de ser agora porque hoje ainda vão dois casais ver" e às 17h20 estava a pagar a caução da casa, depois de uma agradável visita à mesma.

É um T2 Do último andar de um prédio, situado na avenida principal com aspeto de T1, pequeno mas muito acolhedor. Apaixonei-me assim que pus o pé naquele chão branco, já a imaginar-me a apanhar sol na extensa varanda, depois de beber o café na humilde cozinha. 

Não houve tempo para pensar duas vezes, olhei para a minha namorada como se os olhos dissessem "vamos agarrar esta oportunidade agora". 

Hoje, nove dias depois, suspiro de alívio, ainda que este esteja acompanhado pela tão querida ansiedade que quase me engole a voz. Qualquer mudança tem um impacto gigante na nossa vida, mas depois de estar em 3 casas diferentes em 17 meses, partilhadas com diversos estudantes, na maioria das vezes desleixados, lá está, a viver a vida universitária, finalmente encontrei o meu espaço, o meu sossego, ao lado da pessoa que amo, a nossa primeira casa.

Faltam onze dias para a mudança mas o facto de acontecer tudo tão rápido, apesar de estar à espera deste momento há demasiado tempo, faz com que não acredite que isto está a acontecer. Por vezes ainda penso se estou a ser burlada pelo senhor da imobiliária, pensei isso no exato momento, pedindo-lhe todos os comprovativos e mais alguns do pagamento da caução, mas sei que isso é a ansiedade a falar mais alto.

A varanda é do lado de trás, virada para uma rua pacífica, contrariando a agitação que se faz ver na rua principal, onde se encontram lojas de serviços, táxis parados à espera que os telemóveis toquem e a zona dos bares do lado esquerdo, sem data de abertura, devido aos dias que vivemos. 

Fui calhar na rua mais bonita da altura do Natal, aquela a que me dirijo sempre para tirar as fotos, com cara desprevenida, no meio de todas aquelas luzes entrelaçadas nas árvores. 

Daqui a onze dias vou mudar-me e quero que corra tudo bem, estou confiante que sim. No fundo eu só peço tranquilidade, podendo alcançar o equilíbrio certo para viver a vida como esta merece que a gozemos. 

Que assim seja! 

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Reflexão das 18h00

Alice 🦋, 02.12.20

Hoje acordei um tanto nostálgica, pensei no passado, no presente, mas, sinceramente, espero pelo meu futuro com uma certa impaciência e esperança.

Pensar que daqui a pouco mais de um ano finalizo o meu curso e, se tudo correr bem, começo a trabalhar na minha área, enche-me de entusiasmo.

Neste momento, partilho a casa com a minha namorada e outras duas colegas, mas já me encontro à procura de um apartamento só para nós as duas, dado que partilhar casa com outras pessoas não é um processo nada pacífico, é até bastante complexo, sobretudo quando as outras pessoas não partilham dos mesmos hábitos que nós, aspetos importantes e lógicos que deviam de ser regra para quem partilha alojamento (limpezas, etc.). Pessoalmente, tenho uma experiência muito negativa no que toca a partilhar casa. Foi preciso estar no terceiro alojamento em um ano e poucos meses para perceber que não vale a pensar insistir mais. Nem todas as pessoas apresentam ter as mesmas prioridades e nós temos de aceitar isso, mesmo que algumas questões não façam qualquer sentido na nossa cabeça. Vai também ser uma transição notável, visto que para além de finalmente ter o meu espaço de lazer e de trabalho, vai dar-me uma nova força para cuidar dele.

Contudo, acho que vão ser mudanças e finais de capítulos necessários, que vão ter um impacto imensamente positivo na minha vida, os quais pretendo agarrar para me expandir e para me auxiliar a ver a vida com novas cores.

São todas oportunidades únicas de crescimento pessoal, um novo toque e encontro com a realidade, a qual só espero que me receba de braços abertos.

Este tipo de observação, faz-se refletir a respeito do meu "eu" singular, reflexão esta que, desde cedo, não era feita de boa vontade, por consequência de particularidades internas e externas que conduziam a olhar para a pessoa que sou com uma certa rejeição e até uma acanhada percentagem de repugnância, embora que relevante.

Hoje em dia, respeito o meu processo de crescimento. Tenho em consideração toda a minha evolução e já me é possível identificar algumas respostas para com certas atitudes passadas. Atualmente, posso afirmar que me adoro, que tenho bastante interesse em conhecer-me melhor em diversos pontos, bem como, trabalhar em quem tenciono ser e estar, cultivando-me, acreditando e chegar ao auge de amor, amor sincero por quem sou.

Estou ansiosa por viver, inquieta por aproveitar tudo o que a vida e eu temos para me oferecer.

Que processo complexo este, mas eu vou lá chegar.

Obrigada se ainda estás a ler este post, obrigada por acompanhares este momento aconchegante do meu dia. 

Até mais!

 

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