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Renascer

Renascer

15h00 - combóio

Alice 🦋, 27.08.20

Aqui parto, na esperança de fugir desta realidade inconcebível a que me deparo por apenas ser quem sou.
A vontade de não regressar é real, é maior do que deveria. A necessidade de me preservar paralela a tudo o que envolveria esta decisão, pressupõe um suporte emocional maior do que apresento ter neste momento. A presença de um corpo desesperado é verídica, corpo este que procura o conforto da vida, o toque da liberdade retirada pelo exterior.

Séc.XXI e a opinião de terceiros

Alice 🦋, 25.08.20

Hoje sinto-me triste.
Sinto-me triste porque os meus continuam a depender dos outros para atingirem o auge da felicidade. Sinto-me triste, por darem voz a estereótipos, por respeitarem mais as coscuvilhices dos outros do que a própria felicidade dos seus. Sinto-me triste por estarem presos "à regra", ao considerado "normal". Sinto-me triste por os meus responsabilizaram as suas mágoas através da minha felicidade. Sinto-me triste, por as pessoas que me deveriam apoiar e proteger me julgarem por amar uma mulher. Sinto-me triste ao sentir este egoísmo, pela vergonha que sentem por a filha amar o que não é considerado "normal". Sinto-me triste quando dizem que não correspondi aos sonhos deles, como se fosse suposto viver em prol do que os outros desejam.

No século XXI, a opinião de terceiros ainda consegue ser mais valorizada do que a felicidade de um filho.

Hoje sinto-me triste.

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Reflexões e Gratidão

Alice 🦋, 22.08.20

Que fim de semana tão agradável o nosso, ninguém diria que na quinta-feira passada nos atingiu uma depressão. A verdade, é que aquele dia de chuva deu-me uns aninhos de vida. A nostalgia do cheiro de terra molhada que me fez recuar à infância não me foi indiferente.  Reflito sobre a rapidez do tempo e ao que este nos sujeita. 

Vim passar uma semana ao lar dos meus pais, à casa que me viu nascer e admito que foi desmotivante sair do carro para pôr o pé no prédio. Fazia a rotunda que antecipa a rua onde moro e a vontade de voltar para o meu novo lar era visível por quem olhasse para o meu rosto. Sei que este regresso a casa deveria de vir acompanhado com alegria de quem vai ver os seus pais mas as (más) memórias de uma adolescência atribulada não ajudam neste processo. De facto, a minha família não faz parte destas recordações que tanto me abalam, mas os mesmos acabam por sofrer as consequências de uma fala minha mais nervosa e brusca quando cá me encontro. Apesar de não ser tudo um conto de fadas entre nós os quatro (o que suponho que se igual à maior parte das famílias dos nossos dias), sou muito grata por tudo o que os meus pais abdicam para eu me sentir feliz e para que não me falte nada. Por mais que conte os dias para regressar para o meu cantinho, esforço-me por me mostrar grata aos olhos deles, que tanto fazem por mim.

Obrigada por ouvirem este desabafo meio que atrapalhado, é que o cabelo na cara derivado deste vento inquieto não ajuda em nada! Vou dar um mergulho, um resto de fim-de-semana pacífico para todos 

 

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Produtividade (ou falta dela)

Alice 🦋, 14.08.20

Antes da pandemia chegar aos nossos dias era tudo uma correria. Por mais que quiséssemos ser preguiçosos era impossível com aulas a decorrer, trabalhos, compras, entre muitos outros.

Quando me foi solicitado permanecer em casa pensei, "agora é que vou poder descansar". Apesar da continuação das aulas, estas de uma forma bastante diferente e distante, a presença de mais espaço livre durante o dia evidencio-se com alguma intensidade. A necessidade de manter a rotina que me ocupava a cabeça e que, consequentemente, me impossibilitava desanimar era colossal. 

O semestre acabou. Apesar da complexa acomodação, lá se fez tudo, talvez sem dar o meu melhor, mas ter de me habituar a acordar para ligar um computador e sair da cama quando ia passar a manhã no quarto não foi tarefa fácil. 

As férias já vão a metade e se perguntarem o que fiz nestes dois meses, eu não saberei responder. A verdade, é que tentar rodear-me de energias positivas foi uma prioridade. Nem sempre foi fácil, ainda hoje não o é. Não sei o que é suposto fazer neste período de pausa, mas a ideia da vida estagnar por uns meses não é nada rendoso para o meu ser. 
O que é suposto fazer quando não somos bons a desenhar, pintar ou mesmo a cantar? Eu não sei, a verdade é que não tem sido fácil ocupar a cabeça, e a existência de dias monótonos é uma realidade. De momento, tento dar o meu melhor, acordo quase sempre cedo para aproveitar a manhã o máximo possível, seja com uma caminhada, meia hora de exercício ou até para me sentar na varanda e respirar o que o amanhecer tiver para me dar, mas a verdade é que nem sempre é fácil. Ou ao meio do dia já estou com alguma preguiça e tenho de lutar contra a vontade de abraçar os lençóis, ou até estou relativamente desperta mas sem saber a que me agarrar para passar o tempo. 

Não está a ser muito fácil admito. Há dias em que a vontade de ser o máximo produtiva e não saber por onde me guiar corroí-me o corpo. Parece que os outros conseguem sempre tudo e como aproveitar a vida ao máximo e nós não temos jeito para nada sabem? 

Seja como for, já são seis da tarde, e desde que acordei já consegui fazer exercício, continuar o meu bullet journal (agora deu-me para esta, mais uma tentativa de organização), fazer um almoço repleto de sabor e até respirar fundo (o que às vezes nos esquecemos, apesar da sua importância para acalmar a mente). 

E assim se passa mais uma sexta-feira, a rezar para que amanhã o tempo passe a correr e as ideias de um dia produtivo apareçam. 

Bom fim de semana a todos! Se possível, aproveitem para descansar que também é preciso 

Um desabafo de jovem para jovem ou até para uma mãe tão boa como a minha

Alice 🦋, 13.08.20

O relógio já apontava para as 20h30 e aproveitei, por ser a hora que os meus pais costumam jantar, para lhes ligar, assim, conseguia apanha-los aos dois ao mesmo tempo e fazer-lhes companhia naquele momento que desde sempre uniu a família e onde cada um podia partilhar as experiências vividas durante o dia.
A conversa desenrolou-se relativamente bem, o meu pai como de costume animado, o que me enche cada noite o peito de borboletas e a minha mãe, para variar, a lamentar-se.

Em setembro, fará um ano desde que saí do lar dos meus pais, assim como da minha cidade natal. Continua a ser uma experiência única a que estou a viver, o iniciar da autonomia de uma jovem que sempre esteve debaixo da saia da sua mãe, o reiniciar de uma vida que não era a mais feliz onde, de facto, deveria de ser.

Sinto-me uma sortuda pela oportunidade de vir para esta cidade (bem mais calma do que Lisboa, é um facto) e que me enche o coração desde o primeiro dia. 

Contudo, tem sido um período complexo para uma mãe que sempre deu o seu melhor pelos dois filhos e que ao ver que o mais velho continua a aproveitar o conforto da comida da mãe, faça confusão que a mais nova, com uma boa diferença de oito anos, já precise da sua individualidade para sentir a mente sã. 

Bem sei o amor sentido pelos meus pais para comigo, ainda assim, pensei que as lamentações da minha mãe seriam normais de uma mãe que vê o seu pintainho a querer saber mais da vida, mas acreditava que não iriam durar mais do que três meses. A verdade, é que já completo quase um ano desde que tenho de fazer o meu almoço sozinha e as lamentações continuam.

Magoam, é a realidade.

Não são as típicas lamurias que pensamos ouvir: "ainda me lembro do seu primeiro dia na creche e agora já está nas mãos de Deus" ou "como o tempo passa rápido". Ao em vez disto, as mesmas são trocadas por desgosto, tal como "parece que não gostas da mãe, se não estarias aqui comigo" ou "hoje a praia não soube bem porque não estavas lá", ou "ahhh, uma mãe cria os filhos e depois é isto" ou até mesmo "podia ser muito melhor, mas tu não estás cá", à pergunta "como correu o teu dia mãe?". Isto sempre com imensos emojis tristes e a chorar, como se as palavras já não chegassem.

Eu percebo, juro que percebo, mas não é justo. 

Entendo que com o mais velho, já com 27, ainda em casa, não seria de esperar a gaiata que está a completar os 20 já fora do lar, aliás, a duas horas de viagem (pelo caminho mais rápido). Mas então! É de chorar eu querer, ou melhor, precisar de começar a minha vida? Eu não era feliz ali, mesmo com os melhores pais do mundo e com todos os bens necessários, eu não era feliz. Precisava de saborear a minha independência, precisava de renascer e tornar-me na minha melhor versão. E como está a saber bem conhecer-me, oh mãe, como eu precisava disto...

Sei que pode parecer clichê esta afirmação mas tinha tudo para me enfiar por maus caminhos e afundar-me ainda mais. No entanto, estudo, cuido da casa, nem saio à noite (mesmo quando o covid não estava nas nossas vidas) e até acordo às 6h00 para ir caminhar enquanto faço tempo para o mercado abrir. Saborear os tomates do mercado, idênticos aos da horta dos meus pais, é mais uma coisa que deixa o meu coração apertadinho, mas é tão bom ter saudades. 

Ainda assim, magoa fazer para que corra tudo pelo melhor e todas as noites, em todas os telefonemas, ouvir aqueles lamentos em vez de uma palavra de conforto.

Gostava que fosse diferente, isso é certo, é tão importante sentir apoio nesta fase única da vida. No entanto não funciona assim, sei que não é por maldade, sei que me ama mais que tudo e que está a sentir esta minha ausência mais do que nunca, mas magoa. 

Um novo acordar

Alice 🦋, 12.08.20

Desde que me lembro, a minha relação com a cama e com o conforto dos lençóis é sensivelmente íntima. A oportunidade de me desligar de possíveis complicações através do sono é algo inexplicável, a comodidade com o que não sinto naquelas horas ao escuro sempre me reconfortou, como se cada lençol e edredon fossem camadas de proteção. Claramente, o sentimento de conforto através de uma ilusão não é, de todo, algo positivo, muito menos um exemplo que queira transmitir a outra pessoa. 
É certo que este (mau) hábito de evitar a minha realidade, através deste refúgio, sempre esteve presente nos meus dias, sobretudo nas minhas manhãs.
Quando o ânimo de me levantar para fazer algo por mim surgia, automaticamente manifestavam-se alguns impasses:

"Mas porque raio é que me vou levantar? O que é que é possível fazer numa manhã que me faça querer sair da cama? Nunca adquiri o hábito de acordar cedo, porque é que seria agora?"

O grande problema é esse. É não agirmos , é não valorizarmos o AGORA, porque de facto, é o agora que vai determinar o depois. São as escolhas de hoje que vão resumir o nosso dia amanhã. 

Comecei por assistir a alguns vídeos sobre motivação, combate à preguiça, tal como sobre a produtividade. A verdade é que a maioria das pessoas, tal como eu, podem assistir a mil vídeos deste tipo mas continuam com o rabo sentado na cama, a desejar ser aquela pessoa com uma motivação invejável aos olhos de qualquer cidadão, quase como se a produtividade do outro, alimentasse um pouco esta nossa ânsia de aproveitar a vida com toda a garra.

Contudo, a energia apareceu, não sozinha admito, mas sim acompanhada de uma leitura necessária para qualquer pessoa que possua este desagrado com o seu quotidiano, que deseje transpirar produtividade ao ponto de não ter tempo para suspirar. Esta vontade de ser a minha melhor versão, o mais cedo possível, provém, assim, do livro "O Milagre da Manhã", livro este de leitura obrigatória para qualquer pessoa, de qualquer geração ou estilo de vida, que tencione ser uma pessoa melhor todos os dias e que queira de vez começar essa jornada tão desejada..
Provavelmente, um dia abordarei com mais detalhe a essência desta obra que, seguramente, permanecerá na minha mesa de cabeceira, para que não me esqueça do propósito da vida, da oportunidade que temos todas as manhãs de nos redescobrirmos e valorizarmos a sorte que é viver. 

Hoje completei a quarta manhã deste milagre, em que me levanto o mais tardar às 7h00 e vou simplesmente viver. E tão bom que é saborear a aragem a entrar pela janela do quarto enquanto acompanho o acordar dos primeiros raios de sol do dia. Não me lembro da última vez que acordei com o peito quase que afogado, de tanta felicidade que sinto por poder saborear mais uma manhã, por poder caminhar pelas ruas desertas da cidade, como se estas fossem minhas e as estivesse a pisar pela primeira vez.

É também verdade que este novo costume assusta de tão bom que é. Sinto que estou a conhecer uma nova realidade e assusta-me voltar a acordar com os pensamentos que tinha ainda há uma semana. Como se tivesse a voar tão alto que mal posso imaginar pela queda. Esta crença de não me aguentar no topo faz com que estremeça o corpo, mas não vou dar essa queda por garantida, eu preciso desta viagem com a vida, preciso desta mudança, quase como se fosse a minha última esperança de experenciar a felicidade e o que a acompanha.

Hoje tive êxito e amanhã também vou fazer para que volte a voar, vou viver, por mim.

 

 

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O tão desejado primeiro post

Alice 🦋, 11.08.20

É sempre difícil encontrar as palavras certas para o que sentimos, aliás, quem é que achamos que somos para conseguir definir sentimentos? A verdade, é que me sinto bem em escrever, sem um rótulo definido, simplesmente o que acho que sinto.
Este momento de criar um blog é ansiado há imenso tempo, mas a complexidade de traduzir os meus pensamentos em palavras, atribularam com certeza este início tão desejado.
Esta vontade imensa de me expressar, procura de facto o sentido das coisas, o esclarecer dos meus pareceres, um possível relaxamento do corpo que a mente tão acelerada impossibilita.

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