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Renascer

Renascer

Uma semana na casa que me viu nascer, em tom de desabafo

Alice 🦋, 11.09.21

Um quarto assombrado, quarto iluminado
Uma junção de sentimentos que são tudo menos sentidos
Quero partir, sentir, sentir-me, ser, viver, verdade
Não vou mais fingir, fingir ser, viver a fingir uma vida fingida
Hoje quero acordar, voar, flutuar
Amanhã quero estar em todos os lugares e em lado nenhum
Amanhã quero estar
Quero rir, sorrir, sorrir-te
Quero viver, não quero sobreviver
Quero sentir as texturas, cheiros, energias
Hoje choro, sinto o que não quero mas choro, posso sentir a escorrer com a rapidez de quem quer partir sem para trás olhar
Lágrima transparente, reflexo da inocência de alguém que só quer ser, viver, respirar
Hoje quero partir, longe das quatro paredes que me acompanharam a encenar
Anos fingidos, sem a força de ser, de agarrar, cheirar
Mas hoje eu quero ser,
Eu estou aqui.

10 minutos de conversa

Alice 🦋, 18.07.21

Ontem estava uma noite quente, quase como um convite para passear pelas ruas da cidade.

Decidimos subir até ao castelo, debruçar-nos sobre a paisagem ao nosso redor, aprecidando a iluminação de uma noite de verão.
Já cansada de tanto subir, a arrastar-me sobre as minhas velhas sandálias, ouço alguém "morde à menina" em tom de brincadeira, olhei com admiração e era um senhor com os seus 70 anos, a passear o cão e a querer alguma atenção. O dono e o seu cão, os melhores amigos, dava para perceber à distância. Foi bonito, conversámos com vontade.
No final agradece pela simpatia.
Se ele soubesse a diferença que fez no meu dia. Eu é que agradeço meu senhor.

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Mais uma viagem de comboio, mais uma reflexão

Alice 🦋, 10.06.21

Os dias têm sido atribulados.
Ninguém disse que era fácil a vida de estudante. Aliás, na verdade dizem e não é raro: "ainda vais ter saudades desta vida", "mais tarde é que vais dar o valor".
Penso que confundem o privilégio da idade com a tortura da faculdade. Quem teria saudades de constante ansiedade e pressão? Constante comparação e subordinação. Quem tem saudades de deitar às 3h para acabar um trabalho e acordar às 7h para fazer um teste?
Eu sei, eu sei..... "ah e tal estás a exagerar, mais tarde vais ver esta fase com diferentes olhos"....
Mas porque tenho de esperar para analisar a realidade?
Claro que vou ter saudades! Saudades da felicidade ao receber uma boa nota, para a qual me esforcei, saudades de poder substituir uma aula por uma sesta, saudades de aprender e sentir evolução no processo de aprendizagem! Claro que vou sentir saudades de tudo isso, mas não podemos pôr de lado todos os fatores menos positivos que acompanham a viagem. Não posso pôr de lado a ansiedade que sinto nesta fase. A ansiedade de ter 10 trabalhos numa semana, testes até mais não, um estágio que me deixa a pensar se terei a oportunidade de lá arranjar emprego ou não. Isto não se põe de lado.
Enfim, estou na última semana de aulas e o cansaço é notório.
É preciso estar no comboio em direção a casa dos meus pais para ter tempo de aqui escrever.
Tempo..... todos queremos mais tempo.......

Daqui a duas horas estou em Lisboa. Apesar de ter de passar o fim de semana a estudar para o último teste e a treinar apresentações, vai ser bom estar com os meus pais. Vai ser bom não ter de me preocupar com refeições e ter tempo de as saborear em condições.

Dia 16 acaba o semestre e já só fica a faltar um ano para me licenciar. Por agora, vou aproveitar as longas férias de verão que ainda tenho oportunidade de ter, os melhores 3 meses do ano.
Privilégios de estudante, disto vou ter saudades!

Bloqueio Criativo

Alice 🦋, 10.05.21

Olá a todos!!
É verdade, já não venho aqui falar-vos à cerca de 18 dias, que despautério! 

Pergunto-me quando saberei que estou a ter um bloqueio criativo, será que há um número certo de dias sem escrever que dita esse acontecimento?
A verdade é que me custa. Tenho ansiado vir aqui mas nem sempre sei o que escrever, aliás, nem sempre tenho o que escrever. No que concerne a bloqueios, posso dizer que todas as vertentes da minha vida encontram-se assim, bastante imobilizadas.

É aborrecido quando notamos que fazemos as tarefas do quotidiano apenas para fazer o "check" na agenda, sem sequer sentir algum tipo de prazer. Os dias andam assim, "meh", nem bons nem maus.

É ainda mais chato saber que tudo depende de uma única pessoa, EU.
Saber que cabe a mim olhar para as pequenas tarefas com um sorriso, encontrando o mínimo prazer possível nas mesmas.

Trata-se tudo de uma questão de iniciativa própria, organização e força de vontade. 

Hoje é segunda-feira e já à algum tempo que olho para este dia da semana com vontade de o abraçar em vez de o desprezar.

Segunda-feira é sinónimo de recomeço, de novos objetivos e de dedicação.
Para muitos é só um dia normal.
Para mim, sei que será (algum dia) o virar de um página! 

Boa semana a todos! 

 

 

 

 

Dias de sol, com alguns pingos pelo meio

Alice 🦋, 22.04.21

Boa tarde a todos,

hoje venho só felicitar a vida.

Está um dia de sol por aqui, ainda que com alguns pingos, ele está presente. 

O meu dedo já não tem pontos, está em recuperação, ainda que demore há de ir ao sítio!

A minha agenda está cheia, são trabalhos, testes, o estágio e uma reunião há qual fui convidada em nome da minha coordenadora de curso, para representar os 60 alunos da minha turma. Como a licença do curso vai ser renovada, pediram para estar presente e abordar alguns pontos que se deve melhorar, tanto na faculdade como no próprio plano curricular. É uma responsabilidade, mas é reconfortante ter sido eu a escolhida.

Tenho uma orientadora super flexível e empática e como não tenho boleia hoje para casa e o combóio seria só às 19h, sendo que saiu às 17h30, ela quis que eu apanhasse o transporte mais cedo, às 15h30, onde estou agora a escrever-vos, para depois não estar uma hora e meia na estação à espera do comboio das 19h. O que posso pedir mais!!?

Os dias têm sido muito exigentes comigo. Nem sempre a vontade de sair da cama está ao rubro mas, no final de contas, é preciso agradecer pelos momentos bons da vida.

Se não vier aqui antes, bom fim-de-semana! 

Uma casa de sangue e quatro pontos no dedo

Alice 🦋, 12.04.21

Olá!!!!

Já não vinha aqui falar há uns dias. Na quinta-feira comecei o meu estágio de Serviço Social, que consiste no momento que antecede a abertura de um centro de atividades para pessoas reformadas. Até aí tudo bem, estive a tratar das fichas de inscrição para os utentes, entre outras papeladas importantes. Fora as dores de pés, fruto dos novos sapatos com algum salto e a correria entre comboios, correu bem.

Até que.........

Antes de ontem, dia 10 de abril, por volta das 10h30 estava a fazer a sopa para o almoço. Já com todos os legumes arranjados e dentro da panela, aproveitei para cortar o resto da abóbora em pedaços para a congelar. Mal sabia eu o que me esperava!!

Cenário: 

- Uma tábua de madeira;

- Uma faca nova a estrear;

- Uma abóbora com uma casca muito dura por tirar;

- Uma jovem distraída com pensamentos do dia a dia.

Ao pensar em toda a situação, vem a ansiedade ao de cima.

Portanto, a faca afiada a cortar a casca da abóbora e......... um dedo polegar cortado! Nunca vi nada assim na minha vida. Não foi um simples golpe... A parte "gorda" do dedo estava literalmente separada. O meu coração parou. Berrei até não conseguir mais, de certo que todo o prédio me ouviu. A andar de um lado para o outro a berrar com a voz que não sabia ter, à procura da minha parceira. 

Quando dei por mim, era roupa, chão da casa, paredes, tudo coberto de sangue e dois bombeiros a entrar pela sala a dentro.

Volto a olhar para a mão coberta de sangue enquanto me fazem um penso à pressa e grito e grito.

Descemos para a ambulância, deitam-me na maca, medem-me a tensão e a máquina apita. Pedem com preocupação para me acalmar porque a tenção estava demasiado alta. Chegamos ao hospital em 5 minutos. Passo logo pela triagem, numa questão de 1 minuto e encostam-me numa salinha sozinha. 

Eu chorava, chorava, desta vez para dentro.

Um dedo "descolado" e uma jovem que nunca sofreu nenhum tipo de acidente, nunca partiu nada em nova, ou seja, sem qualquer experiência, ali, sozinha à espera para ser cozida.

Passaram 5,10,15 minutos e o choro que até outrora era silencioso, passou para um ataque de pânico, com a respiração acelerada e as pernas a tremer. O segurança do hospital estava relativamente perto e veio ao meu encontro, empurrando a cadeira de rodas diretamente para a maca onde ia cozer o dedo.

Deito-me, duas enfermeiras do lado direito e um médico ainda a calçar as luvas do lado esquerdo. 

Faço questão de referir que não quero sentir muita dor, que estava aflita, mas acho que até um cego naquele momento perceberia isso.

Peço para me dizerem cada passo do procedimento para estar à espera de uma possível dor. Mal sabia eu que a anestesia consiste numa picada de agulha literalmente no sítio do ferimento. Peguei na mão de uma das enfermeiras e gritei até não poder mais. Em menos de um minuto deixo de sentir a mão, o médico diz que já está a pôr os pontos e eu feliz por não sentir, no início do terceiro ponto senti e não foi pouco. Mais uma dose de anestesia, gritei, chorei, disse asneiras, tudo o que senti naquele momento. A máscara já não me tapava a cara da maneira correta mas fiz questão de afirmar que no dia anterior tinha sido testada no estágio (outra nova aventura por contar um dia). Com a mão de novo dormente, a camisola do pijama encharcada e uma cara de quem parece que fumou três ganzas seguidas, lá acabou a tortura, já com o penso feito.

O médico perguntou o que tinha acontecido, e acabei por contar que ainda à duas semanas +/- tinha sofrido uma forte queimadura na mesma mão, também a fazer sopa, nomeadamente a bater a sopa, com ela a ferver.

Chegamos todos à conclusão que tenho de comprar uma Bimbi.

Entre lágrimas de dor, e risos cansados, ainda a processar o que tinha acontecido, levantei-me e fui embora.

Ao sair da sala, tinha todo um círculo de pessoas a olhar com cara preocupada para mim. Não sei o que é pior, a mão ensanguentada, todo o cenário de pijama sem sutiã e ténis brancos ou o cabelo descabelado. Percebi que todos ouviram e bem o que se passou ali dentro. Um dos senhores que se encontrava sentado acabou por me dizer algo, mas ainda dorida e dormente, não consegui perceber as suas palavras, só queria saber por onde era a saída.

Chamei um táxi, e toda esta brincadeira levou-me 5€ de viagem, cinco minutos!!!! Dei a minha opinião em relação ao preço, ao que o mesmo refere que aos fins de semana, feriados e horário noturno a conta é mais alta.

Pffff, se soubesse tinha-me cortado durante a semana!!! 

Enfim, agora aqui estou eu, com um dedo cozido, entre sestas e medicação. 

Não é de todo agradável sentir um penso colado ao dedo, não conseguir fazer todas as tarefas diárias, e imaginar que debaixo deste está um dedo a voltar a colar-se. 

A imagem do dedo ainda me vem à cabeça diversas vezes durante o dia, sobretudo antes de adormecer, o que complica a ansiedade que sinto.

Hoje vou ao posto médico ver como estão os pontos e trocar o penso. Se tudo correr bem, na sexta-feira já os tiro. Vamos lá ver!!

Depois dou notícias.

Mas por favor, uma lição:

NÃO usem facas novinhas e afiadas com alimentos de casca dura e a pensar no dia de ontem!!!!

Cuidem-se 

 

Desconfinar de forma radical

Alice 🦋, 02.04.21

Então não é que uma pessoa anda ansiosa e vai fazer uma maluqueira destas!

Eram 9h00, primeira cliente da esteticista a pôr-se bonita para esta Páscoa. 

A grande questão, que cor usar nas unhas?

Estava indecisa (para variar), entre duas cores, ambas para o lilás. 

Ao fim de uns bons 30 segundos a remoer, a esteticista mandou uma "então põe as duas e até podes combinar com um brilhante". A medo, MUITO a medo, lá saiu um "porque não" da minha boca, longe de seguranças.

E assim foi, três cores numa mão só, porque não? É a moda, como dizem! É preciso arriscar, sair um pouco da zona de conforto, se não as coisas tornam-se banais, uma grande secaaaaa.

E o bem que faz uma unha e uma sobrancelha arranjada! A pessoa sente-se logo outra, sem vergonhas, uma autêntica tia! 

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Reflexão Mensal

Alice 🦋, 31.03.21

Para me motivar a ser melhor todos os dias, ter boas rotinas e não desistir, optei por começar a fazer uma reflexão mensal, no fim de cada mês, onde posso perceber o que correu menos bem e  o que posso melhorar.

A palavra certa para este mês é, sem dúvida: INTENSO

O início de um novo semestre da faculdade, novas matérias...

A entrada na nova casa... novas paredes, ângulos, hábitos...

Foi sem dúvida um mês de recomeços! 

Apesar de ter tudo para ser um mês em cheio, acabei por quebrar. Não sei se mudanças são fáceis para mim. Apego-me muito ás coisas, depois foi todo o cenário de limpezas e tarefas chatas até assentar de uma vez.

Esta última semana não foi de todo fácil. A ansiedade e o cansaço agarraram-me sem vontade de me deixar ir embora, mas hoje já acordei melhor, fui apanhar um pouco de ar, adiantei alguns trabalhos, umas arrumações e pronto, a ver se começo o mês de Abril com o pé direito!

Também fui mais ativa aqui no blog, ainda assim, tive pouco feedback por parte dos leitores, o que me deixou um pouco desanimada, não vou mentir. Cheguei a pensar "será que é culpa do horário em que publico?", "temas desinteressantes?"... seja como for, não irei alterar nada, faço-o da forma mais natural possível, escrevo o que sinto, quando o sinto e assim irei continuar. Pode ser que seja só uma fase menos boa!!

Em abril vou iniciar o meu estágio. Apesar de desafiante, não estou ansiosa, tendo em conta que não consegui ir para onde desejava. Parece que a pandemia tirou-nos até a oportunidade de sonhar, de escolher. Seja como for, vou fazer os possíveis para que corra tudo bem e sejam dias de profunda aquisição de conhecimentos! 

Feliz Páscoa e um agradável início de Abril para todos, com muitos sonhos e objetivos por realizar.

Afinal de contas, Abril é sinónimo de liberdade! 

 

Fim de dia...........tristonho

Alice 🦋, 28.03.21

O sol despede-se lentamente.

A sombra do início da noite entra sem vergonha pelas janelas do quarto, causando uma certa nostalgia e até desânimo a quem quer ir a correr atrás da pouca luz que sobra no fim da rua, mas essa vontade é de imediato abafada quando me lembro que sou impossibilitada de respirar a vida da rua, devido a uma máscara desconfortável que tem de me proteger de um vírus maldoso.

Os dias têm sido melancólicos. Não sei que vírus é este mas a única coisa que me toca é a preguiça de levantar da cama e fazer as tarefas do meu dia. As sestas que já não são sestas, mas sim ciclos grandes de sono têm dominado os meus dias, seguido do mau humor de quem se sente mal por não estar aproveitar as semanas, a vida, com tantos porquês. 

Enfim, uma onda de desmotivação está a inundar a minha casa. Espero que não dure muitos mais dias, que isto stressa uma pessoa, que já tem tantas coisas acumuladas por fazer!!!

Boa semana a todos 

 

Um dia de sol, uma nova oportunidade para sorrir

Alice 🦋, 23.03.21

Os últimos dias foram complicados.

Desde a viagem de Lisboa para Castelo Branco, uma queimadura com sopa acabada de ferver, trabalhos de análise de texto que nunca mais acabam a par de outros contratempos acontecidos.

Agora já está tudo mais calmo. A senhoria da casa já veio finalmente entregar a mobília que faltava. É reconfortante ver o meu cantinho a ficar composto, a ganhar vida. 
Fico aliviada por finalmente conseguir definir espaços diferenciados para cada tarefa. Poder trabalhar na secretária do quarto do fundo, ao lado de uma janela com uma pacífica vista, onde acompanho a evolução do sol até este se pôr ao final do dia; poder passar tempo de lazer na sala com a minha companheira e num futuro sem covid, com algumas amigas; e poder aproveitar o quarto apenas para descansar durante a noite.

Valorizo cada recanto desta casa. O facto de passar o primeiro ano e meio da faculdade numa casa partilhada, onde tinha de fazer todas as tarefas do dia a dia no quarto, desde estudar, descansar, exercitar-me, lazer, etc, causava-me alguma frustração. 

Agora que tenho o meu espaço, com a minha parceira, faz com que tudo tenha mais sentido, que eu tenha muito mais prazer em cada atividade que faço.
Apesar de alguma falta de móveis de arrumação, ter um congelador que se traduz numa estreita gaveta, entre um ou outro pormenor, estou imensamente feliz por aqui estar. Alterar a disposição da mobília, faz com que sinta que a casa é mais minha do que quando cheguei. Com o tempo ficará perfeita!

O tempo também está a melhorar. O sol que entra pela janela vem acompanhado de uma aragem de paz inexplicável. Vou aproveitar esta harmonia para me inspirar com os trabalhos da faculdade, que já são tantoooos.

Deixo-vos uma foto do dia de ontem, por volta das 20h00, enquanto estava na secretária a acabar de trabalhar.
Boa semana a todos e todas! 

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